O Poder da Atenção

A atenção é um dos principais instrumentos para o desenvolvimento da inteligência/educação emocional, pois é por meio dela que direcionamos o pensamento.

Você já percebeu que quando se sente bem, sua mente fica leve e é mais fácil se concentrar em seja lá o que for: no trabalho, na brincadeira com os filhos, no trânsito, nos estudos? Isso acontece porque nos momentos em que você está relaxado, com a mente tranquila, é fácil direcionar a sua atenção para aquilo que você deseja. Da mesma forma, quando estamos lidando com algo de que gostamos muito, seja assistir um filme, ler um bom livro, dançar, andar de bicicleta, jogar futebol, trabalhar em algo que nos traz satisfação, ficamos tão envolvidos que o foco da nossa atenção é todo direcionado para o que estamos fazendo.

Mas quando estamos preocupados, ansiosos ou irritados com alguma coisa, ocorre o contrário. Em geral, a mente se enche de pensamentos repetitivos, ficamos repassando mentalmente uma e outra vez a situação que nos incomoda, pensando no que deveríamos ter dito ou feito, no porquê aquela pessoa agiu de maneira pouco amigável, no porquê estamos vivenciando determinada situação desagradável.

E esses pensamentos repetitivos, necessariamente de cunho negativo, reiteram e reafirmam os padrões mentais limitadores e geram sentimentos desagradáveis que, em geral, acabam nos levando a tomar decisões e ter atitudes que não são as melhores para o momento.

Para você entender melhor como reconhecer os padrões mentais negativos, que atrapalham a vida, elencamos alguns pensamentos que os denunciam. Eles vêm à mente espontânea e repetidamente: “nada de bom acontece comigo”, “não se pode confiar nos outros”, “sabia que ia dar errado”, “eu não consigo”, “eu não posso”, “eu não mereço”, “as pessoas não me aceitam”, “é difícil me relacionar com as pessoas”, “minha vida é sempre complicada”, “querem se aproveitar de mim”, etc.

Quando nos deixamos levar por esse tipo de pensamento é grande a probabilidade de reagirmos no calor da emoção, até piorando o que já não estava bom. E aí vêm mais pensamentos repetitivos, limitadores e negativos, alimentando um círculo vicioso que só serve para fazer mal a nós mesmos e àqueles que estão ao nosso redor.

É nesses momentos que devemos utilizar a estratégia do poder da atenção, direcionando o foco dos nossos pensamentos para qualquer coisa agradável, que nos anime e nos faça bem. Isso vai nos ajudar a sair desse círculo mental vicioso, pois quando você muda os seus pensamentos, você muda os seus sentimentos.

No início, pode parecer que não é possível, como se você estivesse tentando domar um cavalo selvagem, mas quanto mais você treinar, mais vai ver que é possível comandar a sua mente, colocando a sua atenção em pensamentos positivos que façam com que você se sinta bem.

Essa não é uma atitude escapista, você não estará fugindo da situação. Ao contrário, você estará utilizando a sua mente para manter-se emocionalmente equilibrado e, desse modo, encontrar soluções mais apropriadas para as suas questões, pois quando estamos bem conseguimos encontrar respostas melhores para qualquer situação.

Esse mesmo processo acontece com as crianças: elas também pensam repetidamente sobre aquilo que as deixam tristes, irritadas, com raiva: lembram-se da bronca que levaram dos pais ou do(a) professor(a), da gozação dos colegas da escola, do amigo que não quis brincar com ela, da matéria que não está conseguindo aprender, sentem-se mal por algo que fizeram ou ficam afetadas emocionalmente por algo que está acontecendo no contexto familiar, com os pais e irmãos, por exemplo.

É muito importante que as crianças pensem sobre as consequências de suas atitudes, porém elas precisam ser auxiliadas pelo adulto a pensar. Assim, caso os pais ou responsáveis adotem o cantinho do pensamento, é importante que seja uma prática interativa. Pais, responsáveis e crianças devem refletir juntos, pois com carinho e muita paciência por parte do adulto elas irão aprender, desde os primeiros anos de vida, a pensar sobre suas ações e suas consequências e sobre uma melhor forma de lidar com as suas frustrações, anseios, necessidades, enfim com a vida.

As crianças precisam de limites claros, colocados pelos pais ou responsáveis, elas devem saber que determinados comportamentos não são corretos. Os adultos devem sinalizar as atitudes inadequadas, dialogando de forma aberta, mostrando quais consequências negativas resultaram ou resultariam de suas atitudes, como, por exemplo, que ela terá uma restrição temporária de algo de que goste (não assistir o desenho favorito naquele dia, por exemplo), além de mostrar-lhes formas mais saudáveis de agir.
Assim, estarão ensinando a criança a utilizar a mente, a agir de forma equilibrada e saudável e a pensar corretamente sobre suas atitudes, evitando, desse modo, a criação ou o reforço de padrões mentais limitadores.

Da mesma forma, quando a criança estiver triste ou chateada o melhor é ensiná-la a colocar sua atenção em algo positivo – pode ser um brinquedo, uma brincadeira, uma música, enfim, qualquer coisa divertida que chame a atenção dela. Quanto mais cedo você ensiná-las que é possível colocar a atenção em pensamentos positivos, maior será a sua capacidade de fazê-lo.

Ao agir desse modo, pais e responsáveis contribuem para o desenvolvimento da inteligência/educação emocional de seus filhos, ensinando-lhes a utilizar a mente de forma mais adequada e saudável para que aprendam que há modos melhores de interagir com as pessoas, com a vida.

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